quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"Ai, Orkutizou"

Tenho inevitavelmente lido muitas postagens por dia, de muita gente desconhecida. Faz parte do meu trabalho (e eu adoro!).
Mas é o seguinte, toda vez que uma discussão é sobre algo que está ruim no país, rola o comentário "também, um povo que acha que Ivete Sangalo é musa".
Alô você, senhor culto que só escuta Bach e lê Nietzche - ou mente sobre música e literatura - tenho uma notícia bombástica: o povo é você.
Gente que reclama que o Facebook está orkutizando: o Orkut é você também.
É claro que quem é eleito e acaba fodendo com a vida do povo, essa entidade que dorme nos porões da massa, longe dos nossos laptops, e é claro que quem vota é o povo. Seguindo a lógica, se eu sou o povo e os políticos são eleitos pelo povo, eu elegi os políticos que estão lá.
FUJAM PARA AS MONTANHAS!

Não acho errado se revoltar contra quem é corrupto, só acho que antes de dizer que "brasileiro é um povo burro e preguiçoso", a gente tem que lembrar que somos brasileiros. Cada um de nós, leitor de Nietzsche ou fã da Cláudia Leitte, cada um de nós é uma pecinha do povo, e criticar a nós mesmos, de braços cruzados vendo CQC* não é exatamente uma atitude honrosa.
Vejo que infelizmente existem muitas pessoas alienadas quanto a seus direitos e deveres, mas não é dizendo que o povo é preguiçoso que isso vai mudar.

Eu tenho uma utopia boba, de que simplesmente ser gentil, educada e prestativa já faz com que as coisas melhorem pro mundo. Não organizo protestos mirabolantes e criativos e quase não me sinto culpada por não ser ativista; Prefiro trocar isso por atitudes diárias de compaixão (sim! compaixão!) para com quem sabe menos do que sobre determinado assunto.
Pode parecer bem babaca, mas eu prefiro conversar com alguém e explicar pra UMA pessoa como as coisas funcionam do que tirar o "povo" pra burro, xingar muito no twitter os fãs de Restart e desistir.

Caso alguém leia isso, tente também: até hoje, ganhei muitos amigos, aprendi e ensinei no cafezinho com a faxineira. Provavelmente bem mais que o superstar de Youtube que acha que os fãs de Luan Santana são a corja do país.
A corja é cega, o povo não.

*Eu assisto CQC, acho eles ótimos. Really.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ignorance wont bless you

Ando lendo sobre tudo, tudo, tudo que diga respeito a depressão, ansiedade, stress, saúde, bem-estar, qualidade de vida, relaxamento, etc. Minha mãe e minha ex-psicóloga (já explico) acham isso ruim. Eu acho isso ótimo. Pode assustar num primeiro momento saber algumas coisas, mas garanto que informação e conhecimento são a chave pra uma vida melhor. Tomou remédio pra depressão por 5 anos e não melhorou? Não é porque não tem cura ou solução, é provavelmente porque seu médico é falcatrua, ou só incompetente. Procurou uma segunda opinião e também não está funcionando? Busque a terceira opinião. A quarta, a quinta, um pai de santo, sei lá. Como bem observou a Anna num comentário aqui nesse blog, basta dar uma volta nas faculdades de Medicina pra ver que não se pode confiar em médicos.

(Abro parênteses pra contar que quando eu morava bem ao lado da Sociedade Hebraica aqui no Bom Fim, via da minha janela as festas de formatura de Medicina - várias faculdades - e prometia pra mim mesma só ir a consultórios de médicos com mais de 50 anos, pra garantir não ser atendida por nenhum dos caras que caíam bêbados ao som de Babado Novo e brigavam com a namorada porque elas não deixavam eles voltarem dirigindo, apesar de não conseguirem nem caminhar. Teve um cara que caiu na calçada e brigou com pai, irmãos e amigos, sendo que um deles colocou ele num táxi berrando "tu vai fazer merda e ainda vai tirar a vida de alguém".)

Aí, bom, é impossível negar que terapia ajuda. Ajuda quem está "doente" e quem não está. Assim, não queria me alongar numa discussão sobre a responsabilidade que as pessoas erradas têm sobre a nossa vida. Pensa comigo: eu sou uma pessoa bastante inteligente e tenho total noção do que eu sinto, tenho total capacidade de ouvir que sou esquizofrênica e entender que esquizofrênico é o professor que deixou uma estudante de Medicina sair da faculdade e me dizer isso. Assim como tenho capacidade de repensar se eu devo tomar remédio ou não. Por isso, penso que talvez uma psicóloga que fica olhando as pontas duplas do cabelo enquanto eu choro que nem um bebê no consultório talvez não seja o que eu preciso.
Aí eu penso: quanta gente humilde, ignorante, sem instrução nenhuma, não se fode por isso? Imagina quanta adolescente não começa a tomar remédio pesado pra depressão porque a mãe tá achando ela tristinha e levou no médico? Imagina quanta mulher de meia-idade não está tomando coquetel de comprimidos do capeta para bipolaridade enquanto exercício físico e reposição hormonal seriam o indicado?

Basicamente, do gerente do banco ao psiquiátra, falta empatia, boa vontade, sensibilidade em tratar com os problemas das pessoas. Não nego: eu sou boba e espero um mundo melhor. Espero que o micareteiro que se forma psiquiátra tenha um flash de bom senso e vá fundar sua própria banda de axé antes de mexer com coisas sérias com a finalidade pura e simples de enterrar alguém em comprimidos e ganhar jantar e viagem do laboratório que o acompanha.

De qualquer forma, não vou sair interrompendo tratamento porque pode dar merda. E também não descarto o uso de remédios em alguns casos. Mas o sistema pastelaria com que se atende pacientes tem me revoltado muito. E não tem nada a ver com saúde pública: o residente de tênis furado que me atendeu no HPS (gratuito) numa das vezes que eu achei que tava tendo enfarte foi cem trilhões de vezes mais gentil que a psiquiatra pra quem eu paguei pra ouvir que era esquizofrênica.

É uma questão de empatia, de parar e se colocar no lugar do ser humano a quem está atendendo, sabe? Isso não é só com médico, como eu disse. Em todas as profissões existem pessoas ruins. E todas elas vão eventualmente ter que tratar de problemas de pessoas boas e isso me preocupa.

Uma ideia que me ocorreu nesse meio tempo foi fazer panfletos dizendo "busque uma segunda opinião, tanto judicial, quanto médica, quanto financeira..." e distribuir por aí. Fico apavorada pensando no pai de 3 filhos que vai ter que se aposentar porque algum remédio mal indicado, mas distribuido no posto de saúde onde um médico trabalha com má vontade, incapacitou ele para trabalhar, sabe?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vida puta

No dia em que você acordar com ligação da vizinha, dizendo que já falou com teu marido sobre o vazamento no apê dela, e tiver que chamar o encanador, pedir orçamento e escolher os azulejos do banheiro, pode ter certeza: você é gente grande.
(A parte que a vizinha idosa falou que você é só uma menina fica de fora, ok?)
Hoje me peguei pensando sobre isso: ninguém me disse "agora você é gente grande, Amanda". Acho que tudo começou com eu ajudando a pagar (bem pouco, e porque eu queria) a conta do mercadinho da esquina, quando morava com meus pais. Aí meu micro-salário de estagiária, mais o trabalho de editora de imagem de fim de semana pagavam minhas festas, meus táxis, meus materias pra faculdade.
De repente, eu estava num apartamento meu - e da minha irmã, but still - pagando contas, ficando 1 mês à luz de velas por não ter lembrado de que, bem, a conta precisa ser paga, mesmo que o proprietário anterior do apartamento tenha débito em conta da CEEE.

Aliás, antigo proprietário do 303, caso você leia isso, muito obrigada por ter pago sem querer a minha conta de luz por uns meses e nunca ter cobrado isso.

Pausa. Amigos, festas, contas, miojos, congelados e comida que a mãe manda pra vocês. Pausa.

Eu estou no apartamento do cara que conheci numa festa há 3 meses, e a gente divide as contas também, agora do apartamento dele. Não fui pedida em casamento, só fui levando roupas e mais roupas e nunca mais voltei pra minha casa, meu quarto virou depósito. Saímos menos pra ~balada~ porque a coisa não tá fácil, e no verão o apartamento se infesta de baratas, apesar de limpinho. Mesmo assim, cerveja e guacamole garantem a felicidade do jovem casal num domingo de 80ºC em Porto Alegre. Vocês sofrem com cupins, mas se divertem pra cacete com o futebol de quarta-feira numa TV 14".

Pausa. Pequeno aperto financeiro e voltei pro meu apartamento antigo, carregando móveis e eletrodomésticos de uma quadra pra outra. Alguns, nas costas. Dessa vez, além de móveis e eletrodomésticos, o namorado veio junto. Pausa.

Aí eu acordei hoje, faltando 6 dias pro meu aniversário de 24, me dando conta de que, de fato, eu sou adulta. Ninguém me explicou como seria, ninguém me disse que o banheiro eventualmente ia dar infiltração no andar abaixo, e nem que estar com as contas em dia não significa mais estar tranquila com grana: na vida adulta, essa puta, acidentes acontecem e a gente precisa ter reserva de dinheiro, de paciência. A gente precisa ficar calma pra não acabar enlouquecendo (quem leu o primeiro post do blog sabe que eu tenho conhecimento de causa).
Hoje eu desejei loucamente morar com a minha mãe, deixar que ela ligasse pro encanador e que meu pai pagasse. Acontece que se eu morasse com a minha mãe e meu pai ainda, não teria como escolher o azulejo do banheiro com o meu marido, nem poderia discutir com ele se o preço é justo ou não. Não teria tido o guacamole, as viagens, as risadas, o amor todo.

A vida adulta, essa puta, ela te dá escolhas, e isso é realmente interessante quando passa o susto.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Day two

Bom, fui na tal da psiquiátra hoje. Saí de lá arrasada, mil vezes pior do que cheguei e cem milhões de vezes pior do que estava ontem (ontem eu estava ótima). Mas não pode ter sido de novo um clique químico no meu cérebro, dessa vez foi diferente: apesar de se mostrar atenciosa, me pareceu que a médica queria ter um caso de esquizofrenia no currículo, e meio que tinha decidido que eu era esse case de insucesso dela. Meu avô tinha sérios problemas que, até onde eu sei, nunca foram diagnosticados por um psiquiatra. Anyways, eu contei a história (do meu ponto de vista) pra dra., contei que estive bem estressada com trabalho há um mês atrás, a ponto de ficar exausta, contei que desde que passei a tomar pílula anticoncepcional me sinto mais "nervosinha", contei várias coisas que eu sei (eu sei mesmo) que não têm absolutamente nada a ver com esquizofrenia, pra ela me ajudar a investigar. E tudo que ela me perguntava era se eu já tinha ouvido vozes, visto coisas que ninguém viu, tido sensações de sair do corpo e MANO, eu nunca tive nada disso. Eu repeti algumas vezes que não tive nada disso, e ela me pré-diagnosticou como portadora de um "tipo" de esquizofrenia. Saí do consultório arrasada, apavorada. Demorei o dia todo pra falar isso pra alguém: eu estou mais assustada ainda. Até porque quando eu perguntei se o que eu tinha tem cura, se eu voltar ao normal, ela desconversou. Foi como se ela dissesse que eu sou um caso perdido, mesmo que eu não me sinta assim em absoluto.
A história que segue a isso é eu conversando com Mariana e com Achilles novamente, decidindo procurar uma segunda opinião. Porque médico, pai de santo e padre, pra fazer efeito, a gente tem que se sentir seguro ao conversar, e eu não me senti. Pode ser que ela esteja certa, que a segunda opinião me diga o mesmo, que todos os caminhos levem a um diagnóstico com uma palavra tão feia. Pode ser inclusive que eu esteja procurando desculpas pra não ter que acreditar nisso (mas na boa, eu sei quando faço isso e não é o caso).
Mas nem que eu tenha que fazer ritual xamânico, consultar o Deus Pastrafariano, minha amiga psiquiátra, nem que eu tenha que entrar pra Igreja Universal eu vou ficar quietinha pensando que eu sou um caso perdido.

Onde já se viu isso? Tsc.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Explicando o nome, como deve ser

Bom, vou deixar aqui meus porquês, do nome e de mais um blog existir:

O NOME
Acabo de voltar de um almoço com uma grande amiga, a Mari, Maricota, Maricotzen, Maricona (esse eu só uso mentalmente). Nesse almoço, pedi uma Coca-Cola pra beber e me dei conta que depois de duas semanas de terror na minha vida, eu senti de novo o gostinho da Coca-Cola, que eu adoro demais (você também, eu sei). Acontece que há duas semanas, mais ou menos, tive uma crise de pânico que abriu espaço pra uma outra doença (ou sintoma, ainda não sei), e pelo que pesquisei (na web, em conversas, na terapia e perguntando pro médico da emergência que me atendeu num dos dias que eu achei que estava morrendo), depressão.
Eu achava que depressão era ficar muito triste, e quando eu ficava muito triste, morria de medo de virar uma pessoa depressiva, ter que tomar remédios, depender de um terapêuta pra ser feliz, não poder encher a cara porque álcool + anti-depressivo não pode. Isso que me deu não é tristeza. É falta de sentimento, de prazer, de afeto, de SABOR, de empatia. E quem me conhece sabe que empatia é meu nome do meio (Amanda Coiro Empatia Fontoura de Souza, rãããrrããã). Calcule o desespero.
Meu amigo, desde que eu olhei pra cara do amor da minha vida (conheçam o homem com quem eu sabia que ia casar desde a segunda vez que vi - na primeira eu estava levemente alcoolizada e não lembrava de muita coisa) e não senti nada, além de angústia por não sentir nada, eu achei remédio e terapia as coisas mais valiosas do mundo, queria sair na rua e gritar: SE TEM ALGUM PSIQUIATRA AÍ, ME DÁ UM REMÉDIO AGORA.
Pois bem, nesse meio tempo eu escrevi pros meus melhores amigos pedindo ajuda. Alguns eu vi ao vivo e me viram chorar que nem bebê em público. Escrevi pros meus pais, que estão viajando, marquei terapia, fui numa emergência de hospital público pra alguém habilitado me dizer que eu não ia morrer, liguei pra minha irmã sem ter assunto, só pra ouvir a voz dela, tentei forçar todas as emoções que eu não conseguia sentir, e tudo que vinha era uma tristeza enorme e jamais sentida antes por nada disso me "trazer de volta". Tudo ganhou um filtro de sem-gracismo imenso, e eu não tinha nenhum motivo (real, tipo... ninguém morreu, não fiquei desempregada, não acabei namoro, etc) pra isso acontecer. Foi um tilt químico do meu cérebro que parou de ligar as sinapses que fazem a gente sentir prazer, "só isso". Ontem fui na minha primeira sessão de terapia e a psicóloga me disse que isso vai passar, que eu talvez deva precisar de remédio, mas vai passar. Isso fez com que hoje eu acordasse sem o filtro do sem-gracismo - a simples segurança de que vai passar já fez passar, ou amenizar. Hoje consegui sentir felicidade porque ouvi uma música que eu gosto, consegui achar meu cachorro tão feio que chega a ser lindo, consegui beijar meu namorado sem a culpa de não sentir nada, consegui sentir um prazer imenso em beber uma Coca-Cola bem gelada no almoço - não significa que eu vá jogar pra cima terapia e possibilidade de remédio, de forma alguma.

O BLOG
Eu decidi finalmente começar um blog porque me dei conta que eu adoro escrever, mas não escrevo porque ninguém vai querer ler sobre o que eu gosto (pessoas, belezas, felicidades, boas causas, subjetividades), não escrevo porque não é interessante, porque posso não ser aprovada por quem eu admiro, posso ser até ridicularizada e, bem, de certa forma, eu atribuo a essa porra dessa necessidade humana de aprovação toda essa crise dos últimos dias: eu vivi tanto tempo esperando que batam palma pra mim que fui deixando de fazer as coisas que eu amo, deixando de me arriscar e de tentar. Não escrevo porque quem fala sobre si mesmo tende a ser ridículo.


Bom, calma. Assiste esse vídeo curtíssimo abaixo antes de eu finalizar:



É isso, esse vídeo veio no momento certo, até pra eu poder humildemente me justificar: eu estou escrevendo porque quero contar pra quem estiver lendo que você não deve esperar seu avião cair, nem seu coração disparar, sua garganta fechar e você sentir que vai morrer pra ser uma pessoa melhor (pra você ou pro mundo, fique à vontade). Não espere seus sentimentos fugirem de você para valorizá-los.
Finalmente, entenda que a vida é mágica e todo aquele blábláblá motivacional é verdadeiro. Mas entenda de verdade, aproveite-a; Não espere a graça acabar pra sentir falta dela.

Por que eu estou dizendo isso?
Porque sinceramente, eu não quero que ninguém mais no mundo se sinta como eu me senti nos últimos dias, e isso eu sei que depende um pouco de sinapses, serotonina, genética, etc. Mas também depende de a gente não perder tempo com pequenice e simplesmente fazer o que dá prazer, sem medo, sem culpa, sem receio da falta de aprovação dos outros. Quem te ama vai aprovar o que você fizer, contanto que isso te faça bem. E quem não te ama simplesmente não interessa, porque quando teu avião cair ou quando teu coração disparar de um jeito ruim, não vai ser na aprovação do Zé da Esquina que tu não teve que tu vai pensar. Vai ser em quem tu ama e que te ama.

PS.: Vou transformar isso aqui num repositório de belezas e felicidades da minha vida e do mundo, esse post super dramático foi só pra começar :)