quinta-feira, 28 de julho de 2011

Explicando o nome, como deve ser

Bom, vou deixar aqui meus porquês, do nome e de mais um blog existir:

O NOME
Acabo de voltar de um almoço com uma grande amiga, a Mari, Maricota, Maricotzen, Maricona (esse eu só uso mentalmente). Nesse almoço, pedi uma Coca-Cola pra beber e me dei conta que depois de duas semanas de terror na minha vida, eu senti de novo o gostinho da Coca-Cola, que eu adoro demais (você também, eu sei). Acontece que há duas semanas, mais ou menos, tive uma crise de pânico que abriu espaço pra uma outra doença (ou sintoma, ainda não sei), e pelo que pesquisei (na web, em conversas, na terapia e perguntando pro médico da emergência que me atendeu num dos dias que eu achei que estava morrendo), depressão.
Eu achava que depressão era ficar muito triste, e quando eu ficava muito triste, morria de medo de virar uma pessoa depressiva, ter que tomar remédios, depender de um terapêuta pra ser feliz, não poder encher a cara porque álcool + anti-depressivo não pode. Isso que me deu não é tristeza. É falta de sentimento, de prazer, de afeto, de SABOR, de empatia. E quem me conhece sabe que empatia é meu nome do meio (Amanda Coiro Empatia Fontoura de Souza, rãããrrããã). Calcule o desespero.
Meu amigo, desde que eu olhei pra cara do amor da minha vida (conheçam o homem com quem eu sabia que ia casar desde a segunda vez que vi - na primeira eu estava levemente alcoolizada e não lembrava de muita coisa) e não senti nada, além de angústia por não sentir nada, eu achei remédio e terapia as coisas mais valiosas do mundo, queria sair na rua e gritar: SE TEM ALGUM PSIQUIATRA AÍ, ME DÁ UM REMÉDIO AGORA.
Pois bem, nesse meio tempo eu escrevi pros meus melhores amigos pedindo ajuda. Alguns eu vi ao vivo e me viram chorar que nem bebê em público. Escrevi pros meus pais, que estão viajando, marquei terapia, fui numa emergência de hospital público pra alguém habilitado me dizer que eu não ia morrer, liguei pra minha irmã sem ter assunto, só pra ouvir a voz dela, tentei forçar todas as emoções que eu não conseguia sentir, e tudo que vinha era uma tristeza enorme e jamais sentida antes por nada disso me "trazer de volta". Tudo ganhou um filtro de sem-gracismo imenso, e eu não tinha nenhum motivo (real, tipo... ninguém morreu, não fiquei desempregada, não acabei namoro, etc) pra isso acontecer. Foi um tilt químico do meu cérebro que parou de ligar as sinapses que fazem a gente sentir prazer, "só isso". Ontem fui na minha primeira sessão de terapia e a psicóloga me disse que isso vai passar, que eu talvez deva precisar de remédio, mas vai passar. Isso fez com que hoje eu acordasse sem o filtro do sem-gracismo - a simples segurança de que vai passar já fez passar, ou amenizar. Hoje consegui sentir felicidade porque ouvi uma música que eu gosto, consegui achar meu cachorro tão feio que chega a ser lindo, consegui beijar meu namorado sem a culpa de não sentir nada, consegui sentir um prazer imenso em beber uma Coca-Cola bem gelada no almoço - não significa que eu vá jogar pra cima terapia e possibilidade de remédio, de forma alguma.

O BLOG
Eu decidi finalmente começar um blog porque me dei conta que eu adoro escrever, mas não escrevo porque ninguém vai querer ler sobre o que eu gosto (pessoas, belezas, felicidades, boas causas, subjetividades), não escrevo porque não é interessante, porque posso não ser aprovada por quem eu admiro, posso ser até ridicularizada e, bem, de certa forma, eu atribuo a essa porra dessa necessidade humana de aprovação toda essa crise dos últimos dias: eu vivi tanto tempo esperando que batam palma pra mim que fui deixando de fazer as coisas que eu amo, deixando de me arriscar e de tentar. Não escrevo porque quem fala sobre si mesmo tende a ser ridículo.


Bom, calma. Assiste esse vídeo curtíssimo abaixo antes de eu finalizar:



É isso, esse vídeo veio no momento certo, até pra eu poder humildemente me justificar: eu estou escrevendo porque quero contar pra quem estiver lendo que você não deve esperar seu avião cair, nem seu coração disparar, sua garganta fechar e você sentir que vai morrer pra ser uma pessoa melhor (pra você ou pro mundo, fique à vontade). Não espere seus sentimentos fugirem de você para valorizá-los.
Finalmente, entenda que a vida é mágica e todo aquele blábláblá motivacional é verdadeiro. Mas entenda de verdade, aproveite-a; Não espere a graça acabar pra sentir falta dela.

Por que eu estou dizendo isso?
Porque sinceramente, eu não quero que ninguém mais no mundo se sinta como eu me senti nos últimos dias, e isso eu sei que depende um pouco de sinapses, serotonina, genética, etc. Mas também depende de a gente não perder tempo com pequenice e simplesmente fazer o que dá prazer, sem medo, sem culpa, sem receio da falta de aprovação dos outros. Quem te ama vai aprovar o que você fizer, contanto que isso te faça bem. E quem não te ama simplesmente não interessa, porque quando teu avião cair ou quando teu coração disparar de um jeito ruim, não vai ser na aprovação do Zé da Esquina que tu não teve que tu vai pensar. Vai ser em quem tu ama e que te ama.

PS.: Vou transformar isso aqui num repositório de belezas e felicidades da minha vida e do mundo, esse post super dramático foi só pra começar :)

8 comentários:

  1. Amanda, cheguei aqui por acaso, mas nem tão por acaso assim. Que texto bonito, além de bem escrito. Meu coração se encheu de sentimento e empatia (o que apreciei muito, porque também me sinto odiosa e desesperadamente apática às vezes). Também fiquei meio boba com a sincronicidade da vida. Li esse texto aqui ontem http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-33/diario/saindo-das-trevas e ele provavelmente me mudou pra sempre. Gostei muito de ler porque, sinceramente, mesmo que me identificasse com algumas passagens, vi que em meus piores estados (de tpm) já não tava tão mal quanto imaginava, também vi como os remédios são necessários (mas também podem fazer muito mal) e, por fim, mas mais importante, vi como é importante e admirável saber pedir ajuda e ter coragem o suficiente pra ter força de melhorar - e pra dividir a dor e o processo com outras pessoas. Com todo esse amor pela vida e por seus pequenos, mágicos e sagrados prazeres tu vai ficar melhor do que nunca, mais feliz do que sempre. Olha que lindo, tu não te contentaria em viver como a maioria das pessoas seria plenamente satisfeita vivendo - e tanta gente vive assim o tempo inteiro que só de pensar fico angustiada. Por alguma razão misteriosa, que a vida vai dizer no teu ouvido quando chegar a hora, tinha que acontecer. Ficou meio auto-ajuda esse comentário, azar. Beijo sincero de boa sorte.

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  2. Emocionadinha com teu blog, pois já passei por isso. Comentei com a Mariana. ♥ ♥

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  3. Nannah: Mariana repassou seus comentários, muitíssimo obrigada! Maria Joana, adorei seu comentário e não tem problema ser auto-ajuda: eu escrevi exatamente pra meu auto-ajudar e funcionou muito bem, fiquei master feliz de ler seu comentário, principalmente a parte de que você fica angustiada em pensar que as pessoas vivem dessa forma - eu sinto exatamente isso! Beijos pra vocês e muito obrigada!!!

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  4. Simples, bonito e sincero. Começou muito bem! Independentemente do conteúdo dos próximos posts e do futuro que este blog venha a ter, o mais importante é manter em mente aquilo que o originou. A vida é bela, so let's fucking live it up!

    Stay gold, cosmic girl.

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  5. Eu acho que se todo mundo fizesse terapia, o mundo seria um lugar melhor.
    Achei linda a apresentação do blog ♥

    (E eu espero que tu fique bem e "normal" sem remédios, porque acho que eles deixam a gente meio mindfuck. Isso é só uma opinião de ex-depressiva que dependia de ansiolíticos, que reconhece o bem que eles fizeram mas que gostaria de não ter precisado deles)

    :*

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  6. Puxa vida, vim ler o texto para analisar a estrutura de uma história (via Bruno Scartozzoni) e o que encontrei? Uma história muito parecida com o que vivi tempos próximos atrás... e infelizmente cheguei a conclusão que apesar de ter encontrado em mim uma força que nunca imaginei que tivesse, ainda não consegui praticar todas as lições tiradas a partir do "impacto". Obrigada por me lembrar disso e me inspirar sweet dreams! Permaneça em paz! E que este blog tenha vida longa! "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!" Meio clichê, mas e daí também!! hahahaha Fernando Pessoa é um dos meus escritores preferidos... Good luck! :)

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  7. Cai aqui por acaso enquanto fazia um trabalho sobre a Coca Cola rsrs...
    Mas... fiquei simplesmente encantado com o seu texto, sua forma de expressar coisas que muitos sentem mas de uma forma tão gostosa e pessoal.. parabéns!

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