Ando lendo sobre tudo, tudo, tudo que diga respeito a depressão, ansiedade, stress, saúde, bem-estar, qualidade de vida, relaxamento, etc. Minha mãe e minha ex-psicóloga (já explico) acham isso ruim. Eu acho isso ótimo. Pode assustar num primeiro momento saber algumas coisas, mas garanto que informação e conhecimento são a chave pra uma vida melhor. Tomou remédio pra depressão por 5 anos e não melhorou? Não é porque não tem cura ou solução, é provavelmente porque seu médico é falcatrua, ou só incompetente. Procurou uma segunda opinião e também não está funcionando? Busque a terceira opinião. A quarta, a quinta, um pai de santo, sei lá. Como bem observou a Anna num comentário aqui nesse blog, basta dar uma volta nas faculdades de Medicina pra ver que não se pode confiar em médicos.
(Abro parênteses pra contar que quando eu morava bem ao lado da Sociedade Hebraica aqui no Bom Fim, via da minha janela as festas de formatura de Medicina - várias faculdades - e prometia pra mim mesma só ir a consultórios de médicos com mais de 50 anos, pra garantir não ser atendida por nenhum dos caras que caíam bêbados ao som de Babado Novo e brigavam com a namorada porque elas não deixavam eles voltarem dirigindo, apesar de não conseguirem nem caminhar. Teve um cara que caiu na calçada e brigou com pai, irmãos e amigos, sendo que um deles colocou ele num táxi berrando "tu vai fazer merda e ainda vai tirar a vida de alguém".)
Aí, bom, é impossível negar que terapia ajuda. Ajuda quem está "doente" e quem não está. Assim, não queria me alongar numa discussão sobre a responsabilidade que as pessoas erradas têm sobre a nossa vida. Pensa comigo: eu sou uma pessoa bastante inteligente e tenho total noção do que eu sinto, tenho total capacidade de ouvir que sou esquizofrênica e entender que esquizofrênico é o professor que deixou uma estudante de Medicina sair da faculdade e me dizer isso. Assim como tenho capacidade de repensar se eu devo tomar remédio ou não. Por isso, penso que talvez uma psicóloga que fica olhando as pontas duplas do cabelo enquanto eu choro que nem um bebê no consultório talvez não seja o que eu preciso.
Aí eu penso: quanta gente humilde, ignorante, sem instrução nenhuma, não se fode por isso? Imagina quanta adolescente não começa a tomar remédio pesado pra depressão porque a mãe tá achando ela tristinha e levou no médico? Imagina quanta mulher de meia-idade não está tomando coquetel de comprimidos do capeta para bipolaridade enquanto exercício físico e reposição hormonal seriam o indicado?
Basicamente, do gerente do banco ao psiquiátra, falta empatia, boa vontade, sensibilidade em tratar com os problemas das pessoas. Não nego: eu sou boba e espero um mundo melhor. Espero que o micareteiro que se forma psiquiátra tenha um flash de bom senso e vá fundar sua própria banda de axé antes de mexer com coisas sérias com a finalidade pura e simples de enterrar alguém em comprimidos e ganhar jantar e viagem do laboratório que o acompanha.
De qualquer forma, não vou sair interrompendo tratamento porque pode dar merda. E também não descarto o uso de remédios em alguns casos. Mas o sistema pastelaria com que se atende pacientes tem me revoltado muito. E não tem nada a ver com saúde pública: o residente de tênis furado que me atendeu no HPS (gratuito) numa das vezes que eu achei que tava tendo enfarte foi cem trilhões de vezes mais gentil que a psiquiatra pra quem eu paguei pra ouvir que era esquizofrênica.
É uma questão de empatia, de parar e se colocar no lugar do ser humano a quem está atendendo, sabe? Isso não é só com médico, como eu disse. Em todas as profissões existem pessoas ruins. E todas elas vão eventualmente ter que tratar de problemas de pessoas boas e isso me preocupa.
Uma ideia que me ocorreu nesse meio tempo foi fazer panfletos dizendo "busque uma segunda opinião, tanto judicial, quanto médica, quanto financeira..." e distribuir por aí. Fico apavorada pensando no pai de 3 filhos que vai ter que se aposentar porque algum remédio mal indicado, mas distribuido no posto de saúde onde um médico trabalha com má vontade, incapacitou ele para trabalhar, sabe?
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