sexta-feira, 29 de julho de 2011

Day two

Bom, fui na tal da psiquiátra hoje. Saí de lá arrasada, mil vezes pior do que cheguei e cem milhões de vezes pior do que estava ontem (ontem eu estava ótima). Mas não pode ter sido de novo um clique químico no meu cérebro, dessa vez foi diferente: apesar de se mostrar atenciosa, me pareceu que a médica queria ter um caso de esquizofrenia no currículo, e meio que tinha decidido que eu era esse case de insucesso dela. Meu avô tinha sérios problemas que, até onde eu sei, nunca foram diagnosticados por um psiquiatra. Anyways, eu contei a história (do meu ponto de vista) pra dra., contei que estive bem estressada com trabalho há um mês atrás, a ponto de ficar exausta, contei que desde que passei a tomar pílula anticoncepcional me sinto mais "nervosinha", contei várias coisas que eu sei (eu sei mesmo) que não têm absolutamente nada a ver com esquizofrenia, pra ela me ajudar a investigar. E tudo que ela me perguntava era se eu já tinha ouvido vozes, visto coisas que ninguém viu, tido sensações de sair do corpo e MANO, eu nunca tive nada disso. Eu repeti algumas vezes que não tive nada disso, e ela me pré-diagnosticou como portadora de um "tipo" de esquizofrenia. Saí do consultório arrasada, apavorada. Demorei o dia todo pra falar isso pra alguém: eu estou mais assustada ainda. Até porque quando eu perguntei se o que eu tinha tem cura, se eu voltar ao normal, ela desconversou. Foi como se ela dissesse que eu sou um caso perdido, mesmo que eu não me sinta assim em absoluto.
A história que segue a isso é eu conversando com Mariana e com Achilles novamente, decidindo procurar uma segunda opinião. Porque médico, pai de santo e padre, pra fazer efeito, a gente tem que se sentir seguro ao conversar, e eu não me senti. Pode ser que ela esteja certa, que a segunda opinião me diga o mesmo, que todos os caminhos levem a um diagnóstico com uma palavra tão feia. Pode ser inclusive que eu esteja procurando desculpas pra não ter que acreditar nisso (mas na boa, eu sei quando faço isso e não é o caso).
Mas nem que eu tenha que fazer ritual xamânico, consultar o Deus Pastrafariano, minha amiga psiquiátra, nem que eu tenha que entrar pra Igreja Universal eu vou ficar quietinha pensando que eu sou um caso perdido.

Onde já se viu isso? Tsc.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Explicando o nome, como deve ser

Bom, vou deixar aqui meus porquês, do nome e de mais um blog existir:

O NOME
Acabo de voltar de um almoço com uma grande amiga, a Mari, Maricota, Maricotzen, Maricona (esse eu só uso mentalmente). Nesse almoço, pedi uma Coca-Cola pra beber e me dei conta que depois de duas semanas de terror na minha vida, eu senti de novo o gostinho da Coca-Cola, que eu adoro demais (você também, eu sei). Acontece que há duas semanas, mais ou menos, tive uma crise de pânico que abriu espaço pra uma outra doença (ou sintoma, ainda não sei), e pelo que pesquisei (na web, em conversas, na terapia e perguntando pro médico da emergência que me atendeu num dos dias que eu achei que estava morrendo), depressão.
Eu achava que depressão era ficar muito triste, e quando eu ficava muito triste, morria de medo de virar uma pessoa depressiva, ter que tomar remédios, depender de um terapêuta pra ser feliz, não poder encher a cara porque álcool + anti-depressivo não pode. Isso que me deu não é tristeza. É falta de sentimento, de prazer, de afeto, de SABOR, de empatia. E quem me conhece sabe que empatia é meu nome do meio (Amanda Coiro Empatia Fontoura de Souza, rãããrrããã). Calcule o desespero.
Meu amigo, desde que eu olhei pra cara do amor da minha vida (conheçam o homem com quem eu sabia que ia casar desde a segunda vez que vi - na primeira eu estava levemente alcoolizada e não lembrava de muita coisa) e não senti nada, além de angústia por não sentir nada, eu achei remédio e terapia as coisas mais valiosas do mundo, queria sair na rua e gritar: SE TEM ALGUM PSIQUIATRA AÍ, ME DÁ UM REMÉDIO AGORA.
Pois bem, nesse meio tempo eu escrevi pros meus melhores amigos pedindo ajuda. Alguns eu vi ao vivo e me viram chorar que nem bebê em público. Escrevi pros meus pais, que estão viajando, marquei terapia, fui numa emergência de hospital público pra alguém habilitado me dizer que eu não ia morrer, liguei pra minha irmã sem ter assunto, só pra ouvir a voz dela, tentei forçar todas as emoções que eu não conseguia sentir, e tudo que vinha era uma tristeza enorme e jamais sentida antes por nada disso me "trazer de volta". Tudo ganhou um filtro de sem-gracismo imenso, e eu não tinha nenhum motivo (real, tipo... ninguém morreu, não fiquei desempregada, não acabei namoro, etc) pra isso acontecer. Foi um tilt químico do meu cérebro que parou de ligar as sinapses que fazem a gente sentir prazer, "só isso". Ontem fui na minha primeira sessão de terapia e a psicóloga me disse que isso vai passar, que eu talvez deva precisar de remédio, mas vai passar. Isso fez com que hoje eu acordasse sem o filtro do sem-gracismo - a simples segurança de que vai passar já fez passar, ou amenizar. Hoje consegui sentir felicidade porque ouvi uma música que eu gosto, consegui achar meu cachorro tão feio que chega a ser lindo, consegui beijar meu namorado sem a culpa de não sentir nada, consegui sentir um prazer imenso em beber uma Coca-Cola bem gelada no almoço - não significa que eu vá jogar pra cima terapia e possibilidade de remédio, de forma alguma.

O BLOG
Eu decidi finalmente começar um blog porque me dei conta que eu adoro escrever, mas não escrevo porque ninguém vai querer ler sobre o que eu gosto (pessoas, belezas, felicidades, boas causas, subjetividades), não escrevo porque não é interessante, porque posso não ser aprovada por quem eu admiro, posso ser até ridicularizada e, bem, de certa forma, eu atribuo a essa porra dessa necessidade humana de aprovação toda essa crise dos últimos dias: eu vivi tanto tempo esperando que batam palma pra mim que fui deixando de fazer as coisas que eu amo, deixando de me arriscar e de tentar. Não escrevo porque quem fala sobre si mesmo tende a ser ridículo.


Bom, calma. Assiste esse vídeo curtíssimo abaixo antes de eu finalizar:



É isso, esse vídeo veio no momento certo, até pra eu poder humildemente me justificar: eu estou escrevendo porque quero contar pra quem estiver lendo que você não deve esperar seu avião cair, nem seu coração disparar, sua garganta fechar e você sentir que vai morrer pra ser uma pessoa melhor (pra você ou pro mundo, fique à vontade). Não espere seus sentimentos fugirem de você para valorizá-los.
Finalmente, entenda que a vida é mágica e todo aquele blábláblá motivacional é verdadeiro. Mas entenda de verdade, aproveite-a; Não espere a graça acabar pra sentir falta dela.

Por que eu estou dizendo isso?
Porque sinceramente, eu não quero que ninguém mais no mundo se sinta como eu me senti nos últimos dias, e isso eu sei que depende um pouco de sinapses, serotonina, genética, etc. Mas também depende de a gente não perder tempo com pequenice e simplesmente fazer o que dá prazer, sem medo, sem culpa, sem receio da falta de aprovação dos outros. Quem te ama vai aprovar o que você fizer, contanto que isso te faça bem. E quem não te ama simplesmente não interessa, porque quando teu avião cair ou quando teu coração disparar de um jeito ruim, não vai ser na aprovação do Zé da Esquina que tu não teve que tu vai pensar. Vai ser em quem tu ama e que te ama.

PS.: Vou transformar isso aqui num repositório de belezas e felicidades da minha vida e do mundo, esse post super dramático foi só pra começar :)